terça-feira, 9 de junho de 2015

Conversas com o espelho (ou o que é sexo?)



Pergunta: De que falas quando dizes “sexo feminino”?
Resposta: Falo de pele delicada (mesmo se com calos ou rugas); de 1,50m a 1,80m de altura (às vezes mais, outras nem tanto), de voz doce, sorriso matreiro, peito farto, coração quente, colo, imenso colo. Falo de mãe, amante, irmã, amiga, filha. De mulher e menina. De sábia e acabada de nascer. De criadora, trabalhadora. De garra.

P: E quando dizes “sexo masculino”, de que falas?
R: Falo de 1,60m a 2m (às vezes mais outras nem tanto) de corpo forte e determinado. De coragem, ousadia; de vontade de fazer e fazer. De coração ora doce ora inflexível. Falo de pai, irmão, amigo, amante, filho, companheiro. De criança, adulto, ancião. De pelos nas axilas e nas pernas, de colo protector, de segurança.

P: E quando dizes “sexualidade”, falas de quê?
R: De prazer. De prazer no 1,50m a 2m de corpo (às vezes mais outras nem tanto). De prazer, ternura e afinidade no coração. De prazer no abraço determinado à vida, ao outro, aos outros. De prazer no colo recebido, na criatividade, na criação, nos saltos dados na natureza, nos mergulhos plenos no mar, nos beijos da areia, do vento e do sol, no simples respirar de corpo inteiro. De prazer nos abraços partilhados com alguém, nos gemidos de corpo inteiro. Falo de alegria de ser plenamente, de transcendência, de imenso amor.

P: E o que é para ti “sexo”?
R: Masculino? Feminino? Relação Sexual? Órgãos genitais? Prazer? Nunca é, seguramente, só um acto sexual, ou só um órgão genital (ou só dois). Detesto coisas limitadas, prefiro a infinita imensidão que somos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

É preciso falar

Ainda está bem enraizado nas nossas células que cabe ao homem a iniciativa sexual. Talvez por isso muitas mulheres ficam à espera que eles adivinhem o que elas gostam e querem.

Os homens têm um apelo genital fortíssimo, porque lá em baixo um batalhão de espermatozóides grita por fecundar o mundo e isso é a única coisa que aqueles que não aprenderam sobre sexualidade, erotismo e prazer logicamente querem: permitir que os espermatozóides sigam os seus impulsos.

Mas a mulher, terra, necessita primeiro que o seu leito seja cuidado, tratado, acarinhado para se ir abrindo e ficar pronto para que o batalhão de espermatozóides se lance à conquista do único óvulo disponível. (Se a mulher não estiver na altura da ovulação, e raramente está, ainda mais trabalho a terra requer.)

Ora quem é que tem que explicar ao homem estas especificidades das mulheres? Só a mulher o pode fazer. Se nunca nenhuma lhe contou, como é que ele adivinha?

Então, mulheres, vamos lá falar com o homem e dizer-lhe o que gostamos, o que não gostamos, o que queremos muito e o que não aceitamos de todo. Como a mulher não traz livro de instruções tem que o criar.


O mesmo com o homem. O que é que uma mulher faz a um homem? Por onde é que se começa? Onde é que se mexe? Onde é que se agarra?

Além disso, é minha convicção, que também tem que ser a mulher (no caso de casais heterossexuais) a desvendar ao homem o seu corpo, para que ele não fique refém do batalhão de espermatozóides cujo único objectivo é fecundar, e possa seguir os seus objectivos e necessidades de prazer. E não é a saída dos espermatozóides que dá prazer, nem o prazer se confina àqueles poucos centímetros do falo.

E como é que a mulher faz isto ao homem? Tem que aprender! Como? Bom, as explorações individuais são maravilhosas, mas falar com quem sabe, pedir ajuda, aprender, é fundamental. Ninguém nasce ensinado em nada, nem nisto. Talvez 1 em 1 milhão consiga ter grande prazer sem aprender as suas artes, talvez 1… Farei eu parte desse 1 raro, ou estarei a perder o melhor da festa? Eu tenho que aprender! Ou com parceiro(a) experiente que me satisfaz e me ensina ou com alguém que saiba.

E também a mulher necessita que o seu corpo lhe seja apresentado. Se ela sabe o que gosta e o que não gosta, e o pode e deve comunicar, o desconhecido por si própria é infinitamente superior. As explorações individuais são importantes, mas é também necessário que a outra pessoa lhe vá dando a conhecer o seu corpo. Como? Também ela tem que aprender.

Nas famílias e nas escolas (ainda) não se ensina, mas, felizmente, vão aparecendo já alguns locais de aprendizagem e de trabalho com casais. Já não é preciso ficar na ignorância, nos orgasmos fingidos, na castidade, nas escapadelas, na ejaculação precoce.

Este é um dos grandes objectivos de Ser Pleno: ensinar sobre prazer, erotismo, sexualidade, para que homens e mulheres possam viver com plenitude, para que se possam realizar como pessoas e terem relações de amor e prazer em vez de relações de casal que na melhor das hipóteses se transformam em pura amizade / fraternidade e na pior em verdadeiros campos de batalha para mal de todos e do mundo.

Tudo o que aqui foi dito tem também aplicações para casais gay. Seja qual for a orientação sexual, é sempre possível aprender e aprender a ter e a proporcionar mais prazer.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um ano de Ser Pleno



Em memória da minha avó

O Google avisou-me que Ser Pleno fazia um ano. Não sou muito dada a essas coisas de datas, não me lembrava de todo, mas gostei de saber. E hoje dei-me conta que o nascimento de Ser Pleno coincidiu com a data de nascimento da minha avó: 30 de Março. Minha avó, mulher guerreira. Mulher que pariu meia dúzia de filhos, os sustentou, e ainda levava pancada do marido, por isso um dia foi-se embora de casa. Foi seguramente das primeiras mulheres no Alentejo a abandonar o “lar”.

Apesar das imensas dificuldades, era alegre, bem-disposta e sempre pronta para uma boa farra. Então, foi feliz muitas vezes. Que me lembre, era a única pessoa que me amava incondicionalmente. Acho que só com ela eu podia ser eu. Este primeiro aniversário de Ser Pleno é em memória dela.

Ser Pleno tem como objectivos ajudar a que mulheres e homens sejam integralmente, se cumpram como seres humanos, como pessoas.

Que ela possa, que eu, nós, todos os homens e todas as mulheres do passado, do presente e do futuro possamos fluir para um mundo onde nos sintamos bem connosco, com os outros e com o todo.


Há uns seis mil anos que a humanidade enfrenta a repressão da vida. O objectivo tem sido ir para o céu, atingir Nirvana (que significa a extinção do corpo), transcender a matéria. E isso tem levado a uma série infindável de repressões do corpo e da pessoa. Sendo a mulher associada à matéria e o homem à consciência, ela foi considerada a encarnação do próprio mal, como pessoa foi considerada um ser inferior, foram-lhe retirados direitos.

Num universo de equilíbrio de opostos – calor-frio, actividade-descanso, dia-noite – foi negada parte da humanidade: a mulher foi suprimida; ao homem foi retirada a mulher. A quem é que isto pode convir? Parece-me que a ninguém.

E é assim que vivemos numa sociedade desequilibrada, patológica, onde se defende a guerra e ataca o prazer. Onde as pessoas não têm o direito de ser inteiras, mas se aceita e estimula a riqueza desmesurada que conduz à fome. Onde cada um vê o seu umbigo e fica tão ofuscado por ele que não percebe que ao ignorar os outros se está também a ignorar a si.  

Em Ser Pleno defende-se a inteireza da vida e das pessoas e trabalha-se para ajudar a resgatar aquilo que somos por direito de nascença e logo por direito divino. 


Não queremos roubar nada, só queremos usufruir do que somos e do que temos dentro do nosso próprio corpo e da nossa própria alma.

Em Ser Pleno acreditamos que o ódio, a guerra, a fome, a falta de afecto, bem como a maior parte das doenças nascem devido à negação do direito a Ser. Porque queremos um mundo mais equilibrado, trabalhamos para isso: trabalhamos ajudando as pessoas a resgatarem a sua totalidade. 

Ajudamos as pessoas a serem plenas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

É possível ultrapassar a insensibilidade e a dor



Se uma criança não é tocada, abraçada, amada o seu corpo não aprende a ser sensível e assim se pode tornar num adulto com pouca sensibilidade física. Às vezes tem mesmo dor em pontos onde é normal haver prazer. Esta pessoa tem que aprender a sentir, e isso faz-se através do toque sensível, amoroso e paciente e nomeadamente através de massagem.

Quando há insensibilidade, dor ou mesmo cócegas em alguma parte do corpo, isso significa que esse ponto guarda traumas que é necessário libertar.

Também os órgãos genitais guardam memórias dolorosas e daí terem dor, mal-estar ou insensibilidade. É mais frequente nas mulheres, mas também pode acontecer nos homens. Tal como no resto do corpo é necessário (e é possível) libertar esses traumas através do toque: as mulheres através da Massagem Curativa da Vulva (Yoni Healing) e os homens através de Massagem da Próstata ou do Lingam.

Segundo a minha abordagem, na maior parte dos casos é necessário um trabalho holístico: resgate do poder pessoal, do amor-próprio, aprendizagem da sensibilidade, libertação das memórias traumáticas guardadas no corpo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

História de vida: Orgasmo, o que é isso?



Isabel tem 38 anos, é uma mulher de sucesso, elegante, mãe e esposa há mais de uma década. Há três anos que não tem intimidade sexual com o marido e nunca teve um orgasmo. Teve prazer algumas vezes, mas a partir de certa altura o acto sexual tornou-se uma formalidade carnal que lhe causava danos físicos e emocionais. Fingia orgasmos para apressar a ocasião e não frustrar o parceiro. Até que percebeu que era necessário acabar com aquilo pela sua saúde.

Através de uma longa conversa; de exercícios de circulação da energia que aumentam a capacidade de sentir, a intimidade e ajudam a libertar bloqueios; através de massagem delicada e amorosa, Isabel pode sentir que é capaz de ter prazer e de ter orgasmos. Foi necessário dizer-lhe que é merecedora de receber e respeitar na íntegra o seu corpo durante os toques.

(É sempre necessário respeitar integralmente o que corpo e a totalidade seja de quem for.)

Hoje Isabel é uma mulher bem-sucedida também na intimidade, muito mais feliz e segura de si.

Uma história de ejaculação precoce


Bryan LARSEN. Figure study done at Grand Central Academy (detail) [oil on linen].
Luís tem 30 anos. Um dos primeiros actos sexuais resultou em ejaculação precoce. Ficou envergonhadíssimo. Voltou a tentar e à segunda aguentou mais algum tempo. Mas a frustração de não conseguir dar prazer à parceira no primeiro acto sexual levou a que não conseguisse também nos seguintes e com o tempo o mesmo acontecia com o auto-prazer, que deixou de dar gozo.

Andou de médico em médico, psiquiatra, psicólogos. Davam-lhe comprimidos e diziam-lhe que era emocional. Mas de nada adiantava.

Deixou de ter namoradas, tornou-se infeliz, inseguro e descrente.

Após cinco anos de cuidados tradicionais sem sucesso descobriu-me. Logo na primeira sessão conseguiu ultrapassar o problema físico, com mais algumas sessões estava seguro física e psicologicamente.

A ejaculação precoce assenta em crenças que é necessário desmistificar. Se lhe forem somadas determinadas técnicas de circulação da energia é possível e fácil controlá-la. Os médicos e os psicólogos não sabem isto porque não é a sua função, são excelentes no que aprenderam, para as outras matérias convém procurar os profissionais apropriados.